O Nosso Portugues Página

Youth Group July 17 2014Aqui estamos nos 5 meses e meio da nossa abertura e que momentos incríveis tivemos! Recebemos mais de 630 peregrinos que passaram a noite no nosso albergue, 1000 para tomar café e almoço e pessoalmente desenhamos mais de  2000 selos nas credenciais dos peregrinos. Os países representados a noite a volta da nossa mesa para o jantar incluíram Alemanha, Polónia, China, Japão, Corea do Sul, Rússia, Nova Zelândia, África do sul, Austrália, Irlanda, Escócia, Inglaterra, Letónia, Itália, Eslovénia, Eslováquia, Hungria, Croácia, Suíça, França, Filipinas, República checa, Holanda, Canada, Estados unidos, Brasil, Chile, Dinamarca, Venezuela, Noruega, lituânia, Áustria, Bélgica, Taiwan e como seria de esperar Espanha e Portugal. O espírito do caminho afectou-nos profundamente através da partilha de milhares de conversas sobre a natureza da experiencia do peregrino, a motivação sobre a caminhada, as amizades que dai surgiram e os despertares de experiencias novas que dai estão surgindo. As faixas etárias que por aqui passaram encontram-se entre os 7 e os 87 anos de idade!

O nome do nosso albergue Quinta estrada romana foi ouvido e viajou por  todo o lado no caminho português, francês e espanhol, trazendo até nos muitos peregrinos que ouviram falar dos “canadianos”. Agora  conseguimos perceber verdadeiramente a natureza da comunidade que existe ao longo desses caminhos. Aprendemos muito ao longo deste últimos meses e iremos partilhar muitas mais experiencias. Fiquem atentos!!!

shoesComo todos vocês sabem o Geof e eu partimos do Canada há quatro anos  atrás para fazer o caminho português. Não tínhamos nenhuma intenção de nada sem ser a de fazer uma grande caminhada de 880 km. Voltamos a Portugal 3 meses de pois de ter voltado ao Canada depois de ter feito o caminho para responder a uma mudança de vida a qual não tivemos outra opção senão responder. Assim o fizemos voltando outra vez ao Canada na posse de uma quinta abandonada em Portugal de 11 hectares mas com uma visão do que poderia vir a ser!

Demorou mais de três anos a limpar os 11 hectares de terreno e a transformar uma ruína num robusto albergue com 16 camas e um café no caminho de Santiago a 11 km a sul de Tui Espanha que fica situado a 100 km de Santiago. Pela primeira vez na minha vida usei um avental e o Geof transformou-se no mestre das omeletas. A Jessica cozinhou todas as noites para toda a gente e pela manha trocamos lençóis, fizemos as camas, limpamos casa de banho, para deixar tudo pronto e limpo para os próximos peregrinos. Durante o dia servimos cafés, almoços, bebidas refrescantes, desenhamos selos nas credencias de cada peregrinos que por aqui passaram  e conversamos com tantos quanto podíamos. Para todos os que aqui entraram,  éramos apenas os hospitaleiros canadianos juntos com o nosso ( Wellington Boot) que tivemos a boa sorte de realizar o nosso sonho.

IMG_1758Dito tudo isto, passei a minha vida sendo uma antropologista, estudando e praticando a arte da evolução da ciência e a mudança do mundo. O Geof passou toda a sua vida sendo um conhecido jornalista e produtor de televisão. Passamos as nossas vidas testemunhando e comentando sobre o comportamento humano que se manifestava à nossa frente e em meio a dinâmica revolucionaria dos sistemas em declínio.  Tínhamos dedicado as nossas vidas  às nossas carreiras e simplesmente decidimos abandona-las quando o caminho nos chamou. Sabíamos  que tínhamos descoberto o lugar mais especial para silenciosamente e discretamente observar a dinâmica humana que passam pelas nossas vidas diariamente. Era uma oportunidade boa demais. Por estas razões estamos dedicando os nosso próximos blogs as observações que fizemos, nesta nossa primeira temporada.

Agradecemos os vossos comentários, de modo a ter uma perspectiva mais ampla e profunda do mundo!

 O Código Táctico do Caminho

IMG_1676A própria natureza de um código táctico é que ele desafia a definição. Quando o Geof e eu fizemos os nossos vários caminhos, nós experienciamos em primeira mão a ética de confiança, honestidade e respeito profundamente enraizadas. Nós inconscientemente viemos a perceber que andando por terrenos desconhecidos, partilhando quartos com estranhos, e encontrando-nos em inúmeros momentos de perplexidade só foi possível começar a entender quando a nossa jornada interior foi protegida por experiencia exterior. Com os mistérios do caminho desenrolavam-se diante de nós, tornamo-nos cientes de que estávamos salvaguardados pelos princípios implícitos que ninguém afirma, mas que todo o mundo vive no caminho.

A nossa exposição, no entanto, até esta primavera, limitou-se a nossos companheiros peregrinos que compartilharam connosco o bom senso de timing, rota, tempo e direcção em cada um dos nossos respectivos caminhos. Quando começamos a nossa primeira temporada como hospitaleiros, Geof e eu nos perguntávamos como este código táctico seria evidente através de meses de experiencias nos caminhos que percorremos como bem mais de 1000 que o percorrem como nós o fizemos.

Patio Dialogue
Patio Dialogue

A nossa aspiração desde o inicio era para ser “casa longe de casa” para os peregrinos. Com 18 camas e café, esplanada para 30 temos um albergue considerado  de tamanho médio Esta foi a razão pela qual construímos quartos acolhedores, casas de banho grandes, um café íntimos e refeições caseiras. Mas acima de tudo, estávamos empenhados na hospedagem feita com amor.

Dizem que o respeito começa em casa e no nosso caso, foi de facto assim. Ao longo dos últimos seis meses, o nosso albergue tem sido tratado com respeito. Sem direcções, nem instruções, as botas eram rotineiramente deixadas na porta do albergue, as camas foram sempre feitas e ajuda foi dada na preparação da comida e a lavar a loiça, e não tivemos nada de loiça partida – tudo bem!! Um para de copos de vinho, mas só isso!!! A atmosfera foi de amizade, emoção e gratidão. Todo o mundo era bem-vindo não por causa de qualquer estratégia de marketing, mas porque nós acreditamos profundamente que é um privilegio para nós que as pessoas escolhessem a nossa quinta enquanto faziam o caminho de e para Santiago. Nós nunca duvidamos de que fomos abençoados para partilhar a nossa casa e a nossa historia com todos vocês.

Descobrimos a particular habilidade que o  Geof e eu temos para ultrapassar barreiras linguísticas. Nossa incapacidade de falar português e espanhol foi na maioria dos casos, uma oportunidade de usar gestos humanos comuns como meios para comunicar necessidades e oferta. (É claro que a nossa menina jessica, que fala português, espanhol, francês e inglês  estava lá para nos resgatar, se parecêssemos completamente desnorteados). Eu tornei-me cada vez mais confortável com o meu papel com anfitriã, e voltei a encontrei o meu francês da minha infância passada no quebec, voltando para mim.

Mas, independentemente da palavra não dita, descobrimos que a linguagem universal do caminho procura conectar independentemente do idioma. Como a maioria dos peregrinos ira dizer-lhe, o código implícito do caminho supera desafios linguísticos superficiais. O desejo humano de se relacionar e pertencer tem a sua própria linguagem  que substitui nacionalidades, diferenças culturais e dialecto. Tal foi o caso quando o riso e apreço foram muitas vezes o resultado de tentativas multi-linguísticas que o Geof teve ou seja encadeamentos de palavras em francês, inglês, português e espanhol (com acento) em sentenças que eram completamente irreconhecíveis para ninguém. A mensagem era simples ele só se queria envolver!! Seu coração falava mais alto do que a voz dele. E ele foi entendido!!!

Colocamos a sério o código á prova  quando decidimos operar exclusivamente em modo de doações para tudo: de um café ao nosso alojamento nocturno. Embora os detalhes será o assunto  de um próximo blog.  Podemos dizer que  ficamos muitas vezes atordoados com a generosidade que apareceu na nossa caixa de doações. Viemos para aprender que havia uma ligação significativa entre o tempo que passamos com as pessoas e a natureza da sua contribuição. Parecia que quanto mais os nossos caminhantes conheciam as razões pelas quais nós tínhamos escolhido  alterar significativamente as nossas vidas, mais despertou o destemor e a  vontade de reflectir sobre os próprios sonhos. Como evidenciado pelo espírito desta quinta (a partir duma casa em ruínas  para um lar para centenas)  o vosso reconhecimento do código do caminho em acção apareceu em nossa caixa de doação.

Não tivemos armários nem cofres, no nosso albergue, nem nenhuma preocupação foi expressa. Até 22 pessoas partilharam a noite IMG_1792em conjunto. Mochilas com todas as suas posses  imediatamente foram abandonadas em todo o albergue. Nosso frigorifico sempre esteve cheio de cerveja, vinho, bebidas e alimentos e sempre disponível para os peregrinos com o único pedido para cada vez que retirassem alguma coisa do frigorifico utilizar o sistema  de colocar suas respectivas doações. Esta caixa de doação sempre ficou no aparador principal , de modo a estar disponível para fazerem as doações . Uma vez que parte da nossa oferta foi para lavar a roupa dos peregrinos, as cordas da roupa ficaram continuamente cheias de roupas penduradas  fora do albergue. Esta cordas incluíam tudo, desde o melhor em roupas para caminhar até as mais básicas. Todas as manhas, os nossos peregrinos retiravam as suas roupas das cordas em metiam-nas suas mochilas. Nunca faltou nada a ninguém!!!

IMG_1911Ao longo desta temporada, começamos a entender porque isso foi possível. É o principio subjacente que ressalta o código  tático. O caminho é um lugar  seguro! Os milhares que andam todos os dias através de Portugal, França e Espanha  fazem isso com o compromisso para andar em confiança honestidade e respeito. Estes valores da vida são os próprios ingredientes que patrocinam uma capacidade de viajar internamente durante o transporte através de paisagens externas. Tais éticas poderosas libertam o medo que mina as capacidades de encontrar sabedoria interior. Eles acionam profundas esperanças superficiais. Eles fazem tudo isso, sem qualquer meio de comunicação explicito ou menção. Não há cartazes, outdoors, panfletos, programas de orientação ou de seminários de educação utilizados para entender esses valores. Simplesmente um ambiente seguro e profundamente humano.

Então, o que, você pode perguntar? Para mim, esta realização levou-me a questionar algumas das práticas mais percetivelmente bem sucedidas e rotineiramente realizadas ao longo dos últimos 30 anos como consultora de gestão. As organizações têm gasto biliões de dólares para incutir visão, missão, valores e declarações. Durante as últimas  fases da minha carreira, eu comecei a questionar a validade de tais investimentos significativos em dinheiro, tempo, e mais importante em emoção humana. Eu vim a pensar que tais grandiosos gestos eram a fabricação enganada de lideres que não são capazes de criar e manter ambientes seguros.

O conceito de refúgios seguros vai muito alem de organizações. Bairros verdadeiramente seguros, que não são policiados, são aindainfinity in sand mais importantes para o nosso bem-estar. De onde vem essa noção se sentir seguros dentro das nossas vidas familiares? Como podemos permitir  os nossos membros de família  para experienciar intrinsecamente uma profunda sensação de segurança para eles podem funcionar sem medo tal? Como eles sustentam  segurança incondicional e o código tático de confiança, honestidade e respeito evidente no símbolo da eternidade em que cada um cria?

Então isso ainda pode ser um poder energético magico natural,  capacitar as pessoas para angariar a coragem de realizar o que se pensava ser impossível? Não é isso a busca da nossa nova ordem mundial. Encontrar soluções para o que se tornaram questões sociais e económicas paralisantes?

Esses são os temas que se encontravam em tema central para o dialogo  em torno da nossa mesa de jantar nestes últimos meses. Sim, de facto, tem sido uma temporada incrível. A experiência tem sido simples e inspiradora.

Nós não entramos nesta aventura com nenhuma expectativa explicita de testemunhar tal comportamento iluminado, nem essas investigações profundas para o mundo á nossa volta. Mas por outro lado, eu duvido que teria partido nesta viagem se não acreditássemos  que tinha que ser assim.

Por favor, fiquem atentos para os nosso futuros blogs sobre temas como “a busca da juventude”, “ a economia do caminho”, “ a nossa arvore magica dos desejos”, “ os contos de Wellington Boot” e “ o elixir do amor no caminho”.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

A World of Connection

WP Like Button Plugin by Free WordPress Templates